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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

COMISSÃO REALIZA AUDIÊNCIA EM MARABÁ


Audiência de hoje será a segunda realizada no Estado, e a oitava realizada pela Comissão da Verdade em território nacional.·.

Uma comitiva da Comissão Nacional da verdade realiza hoje, a partir das 15h, uma audiência pública na Câmara Municipal de Marabá para ouvir relatos de camponeses que sofreram repressão e perseguição do regime. Essa é a primeira vez que a Comissão faz uma audiência pública em cidade que não é capital de estado. O evento será realizado em parceria com o Comitê Paraense de Verdade, Memória e Justiça, que investiga casos de violações cometidas no estado do Pará. Desde sua criação em maio deste ano, esta é a terceira vez que a CNV vai ao Pará. Em outras ocasiões a Comissão esteve em Belém e na região do Araguaia colhendo depoimentos de pessoas que sofreram com a repressão da ditadura na região.

A audiência de hoje será a segunda realizada no Estado, e a oitava realizada pela Comissão da Verdade em território nacional. Na tarde de ontem, a CNV publicou a sua resolução nº 5, formalizando a criação do grupo de trabalho sobre violações de direitos humanos relacionados à luta pela terra e contra populações indígenas, por motivações políticas. Coordenado pela psicanalista Maria Rita Kehl, membro da CNV, o Grupo já está atuando e conta com a participação da historiadora Heloísa Starling e do gestor Pedro Pontual, ambos assessores da Comissão Nacional da Verdade.  

O grupo de trabalho conta com a colaboração de Wilkie Buzatti Antunes, pesquisador do Projeto República, da UFMG, e do jornalista e pesquisador Inimá Ferreira Simões, servidor da Câmara dos Deputados e mestre em cinema. Ambos são especialistas em questões ligadas a camponeses e indígenas e prestarão serviços públicos relevantes não-remunerados e serão cedidos pelos órgãos de origem à CNV sempre que necessário.

O GT tem como missão esclarecer fatos, circunstâncias e autorias de casos de graves violações de direitos humanos, como torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres, relacionados a indígenas e camponeses no período determinado pela lei que criou a CNV (1946-1988). O grupo deve ainda identificar e tornar públicos estruturas, locais, instituições e circunstâncias de violações de direitos humanos cometidas contra esses grupos. Tomando parte das atribuições do Grupo de Trabalho, Kehl, Pontual, Buzatti e Simões estão em missão no sul do Pará de 16 a 18 de novembro.   

Ontem, o grupo seguiu até a Terra Indígena Sororó, no município de São Domingos do Araguaia, área da etnia Aikewara, conhecida como os Suruí do Pará. Dando continuidade aos trabalhos no Araguaia, no domingo, 18, o grupo, acompanhado do assessor da CNV Guaracy Mingardi, irá ouvir depoimentos de três ex-soldados que atuaram na repressão a militantes de esquerda e de pessoas contrárias ao regime no Araguaia. Esses depoimentos podem ajudar a esclarecer como funcionava a organização militar, quais eram as estruturas e quais ordens eram enviadas a essa parte do Brasil durante a época de repressão.

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